CIECs aproximam estudantes do território por meio de pesquisas, atividades práticas e participação nas decisões, em modelo articulado às escolas municipais
Situações do cotidiano, como encontrar um inseto na horta, observar o descarte de lixo nas ruas ou questionar sobre o universo, são usadas como ponto de partida para atividades de pesquisa e aprendizagem nos Centros de Integração Escola e Comunidade (CIECs) de Maricá.
A iniciativa da Secretaria Municipal de Educação foi implantada inicialmente em duas unidades, no Bairro da Amizade, no Centro, e no Barroco, em Itaipuaçu. Os espaços funcionam de forma articulada às escolas de origem: os estudantes permanecem em um turno na unidade escolar e participam das atividades do CIEC no outro.
A proposta integra a Política Municipal de Educação Integral em Tempo Integral, prevista na Resolução 004/2025, e busca ampliar as experiências educativas para diferentes tempos e espaços.
Nos CIECs, atividades como brincadeiras, jogos, arte, leitura e escrita, matemática, idiomas, filosofia, educação ambiental e práticas ao ar livre são relacionadas às experiências e perguntas dos próprios estudantes.
A participação das crianças também faz parte da organização dos espaços. Elas são incentivadas a propor temas, pesquisar, assumir responsabilidades e participar de decisões relacionadas ao funcionamento das unidades.
“O grande diferencial é fazer com as crianças, e não apenas para elas. Elas participam das decisões, assumem responsabilidades e aprendem a questionar e a interagir com o ambiente e com aquilo que realizam.”
— Michelle Gonçalves, gerente das Comunidades de Aprendizagem
No CIEC Tia Isa, cerca de 65 estudantes da Escola Municipal Marcos Vinícius Caetano Santana, com idades entre 9 e 12 anos, participam das atividades nos períodos da manhã e da tarde.
Segundo a psicopedagoga Valéria Belém, que atua na unidade, as atividades permitem acompanhar diferentes aspectos do desenvolvimento dos alunos, como escrita, coordenação motora, lateralidade, comunicação, convivência e reação diante de desafios.
“É um local de vivências e de trocas entre as crianças, os profissionais e a comunidade. Durante as oficinas, a equipe acompanha a escrita, a coordenação motora, a lateralidade, a capacidade de comunicação, a convivência e a maneira como cada criança reage aos desafios. Elas aprendem conosco, e nós também aprendemos com elas.”
— Valéria Belém, psicopedagoga
Comunidade como espaço de aprendizagem
A relação com o território é trabalhada por meio dos Grupos de Responsabilidade (GRs), formados por estudantes e profissionais para identificar necessidades e acompanhar ações coletivas. Entre as atividades estão o cuidado com a horta e a manutenção das áreas comuns.
Uma planta, um inseto ou uma situação ambiental observada no bairro pode desencadear pesquisas, conversas, atividades de leitura e conteúdos previstos no currículo.
A proposta também busca levar o aprendizado para além dos CIECs. Questões identificadas pelos estudantes nas ruas são discutidas nas atividades e podem ser compartilhadas com as famílias e a comunidade.
O modelo é estruturado a partir do Programa Comunidade Aberta e combina acompanhamento pedagógico, autonomia dos estudantes e interação com o território.
“É mais do que um espaço para a criança aprender; é um lugar em que todos se modificam. Eu era uma profissional antes de iniciar esse processo e hoje sou outra. Inovar é sempre complexo, mas esse movimento é muito gratificante.”
— Michelle Gonçalves, gerente das Comunidades de Aprendizagem





