Volta ao Rio: montanhista percorre 2,2 mil km em 127 dias
Expedição voluntária passou por 87 unidades de conservação e mais de 50 municípios para testar a viabilidade da nova rota de longo percurso do estado
O montanhista e voluntário Luiz Aragão, de 60 anos, concluiu em 8 de setembro uma expedição de 2,2 mil quilômetros pela Volta ao Rio, nova rota de longo percurso em construção no estado do Rio de Janeiro. A jornada durou 127 dias e teve como objetivo testar, na prática, diferentes trechos e aspectos da proposta.
A Volta ao Rio foi concebida para conectar unidades de conservação e municípios fluminenses por meio de trilhas e caminhos, associando conservação ambiental, visitação e desenvolvimento sustentável. A rota, que deverá ter aproximadamente 3 mil quilômetros, está sendo estruturada como um percurso multimodal, com trechos para caminhada, bicicleta e deslocamentos por vias aquáticas.
A proposta ganhou força a partir da articulação entre o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Rede Brasileira de Trilhas, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), gestores de unidades de conservação, municípios, voluntários e outros parceiros.
Expedição testou a rota em campo
A participação de Luiz Aragão surgiu como uma etapa prática do planejamento. O montanhista se ofereceu para percorrer a Volta ao Rio e avaliar as condições encontradas ao longo do trajeto.
Durante os 127 dias de viagem, ele passou por 87 unidades de conservação e mais de 50 municípios. O percurso começou e terminou no Parque Nacional da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. A chegada foi celebrada no Centro de Visitantes Paineiras e reuniu representantes do Inea, ICMBio, Rede Brasileira de Trilhas, gestores de unidades de conservação, voluntários e outros envolvidos no projeto.
A jornada combinou caminhada, bicicleta e caiaque. O trajeto incluiu áreas serranas, unidades de conservação, rios, lagoas, regiões rurais e trechos do litoral fluminense.
Entre as áreas protegidas percorridas estão o Parque Estadual do Desengano, no Norte Fluminense, e os Parques Estaduais dos Três Picos, na Região Serrana, e da Ilha Grande, na Costa Verde, administrados pelo Inea. Também fizeram parte do percurso os Parques Nacionais da Serra dos Órgãos e de Itatiaia.
Durante a expedição, Aragão registrou informações sobre tempo de deslocamento, condições dos caminhos, opções de hospedagem, pontos de apoio, conectividade, disponibilidade de banheiros e locais para aluguel de caiaques, entre outros dados.
O material deverá contribuir para o aprimoramento da rota e para a organização de informações que poderão ser utilizadas por futuros visitantes no planejamento dos trajetos.
Conservação e desenvolvimento local
A proposta da Volta ao Rio também busca ampliar a relação entre as trilhas e as áreas protegidas, estimulando o turismo de natureza e criando oportunidades para comunidades e pequenos negócios situados ao longo dos percursos.
A circulação de visitantes pode movimentar pousadas, produtores rurais, condutores, prestadores de serviços e outros empreendedores locais. A estruturação das trilhas também pode ampliar o acesso da população às unidades de conservação e fortalecer a conexão com os territórios protegidos.
Para Aragão, a experiência ao longo da viagem teve ainda um impacto pessoal. Segundo o voluntário, o contato com moradores durante o percurso mudou sua percepção sobre a receptividade que encontraria.
“Mas nesses quatro meses, ao olhar nos olhos das pessoas mais simples, ao ver quem me abriu a porta de casa sem nem me conhecer, eu voltei a ter esperança. Volto dessa caminhada muito mais otimista em relação ao ser humano”, afirmou.
A expedição também reforçou o papel do voluntariado na construção de projetos de conservação e uso público. A experiência de campo permitiu transformar parte do planejamento da Volta ao Rio em informações práticas sobre as condições encontradas ao longo do território.
Programa estadual de trilhas
Durante o encontro que marcou o fim da expedição, a diretora de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas do Inea, Julia Bochner, anunciou a preparação do Programa Estadual de Trilhas do Rio de Janeiro (Protrilhas-RJ).
A iniciativa pretende fortalecer a política de trilhas no estado, conectando áreas protegidas e articulando conservação ambiental, uso público, geração de emprego e renda e desenvolvimento territorial.
O programa também deverá ser integrado à política nacional de trilhas, ampliando a articulação entre as iniciativas estaduais e nacionais voltadas à estruturação e ao uso das rotas de longo percurso.





