CotidianoCultura & EntretenimentoRio de Janeiro

Fundação Cacique Cobra Coral explica ausência no Rock in Rio

Entidade afirma que está concentrada em emergências climáticas e no aumento dos reservatórios de água do Sudeste

A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) rebateu as críticas recebidas após não atuar para evitar as chuvas previstas para o Rock in Rio nesta segunda-feira (7/9). Segundo a entidade, o trabalho atual está concentrado em emergências climáticas e na recuperação dos níveis dos reservatórios de água do Sudeste.

A repercussão aumentou entre os fãs do festival, que passaram a pedir nas redes sociais a atuação da fundação para afastar a chuva durante os shows. Em posicionamento publicado no perfil oficial da entidade, a FCCC afirmou que não está realizando uma operação específica para o Rock in Rio.

A fundação explicou que mantém convênios com governos sem cobrança financeira, desde que as administrações assumam compromissos ambientais. Também existem contratos com instituições privadas, como ocorreu anteriormente com o próprio Rock in Rio, mas as condições são diferentes.

“Não é uma questão de valores, mas de princípios. Não tem cabimento a entidade atuar para um evento com uma crise hídrica e elétrica batendo à porta do Ministério de Minas e Energias (que são conveniados com a Fundação desde 1986). E são todos convênios isentos de ônus financeiro, mas não ambiental. Todos têm que fazer a lição de casa por meio de investimentos nos setores hídricos e eletrícos. Ou seja, a Fundação Cacique Cobra Coral é para emergências climáticas, não para o dia a dia. É focada em obras que possam resolver o problema para o nosso povo”, diz o texto publicado pela entidade.

Atuação no Rio de Janeiro

Em agosto, a Prefeitura do Rio firmou um acordo com a Fundação Cacique Cobra Coral para reduzir os impactos de vendavais na cidade. O acordo foi publicado no Diário Oficial do Município.

Segundo Osmar Santos, porta-voz da FCCC e marido da médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral, o objetivo do acordo é evitar inundações no Rio de Janeiro.

“O acordo é para evitar inundações na cidade do Rio. Você tem visto vendavais como estavam dias antes do contrato ser renovado? As chuvas agora são por um motivo. Se não cair o que precisa para agora, quando chegar o verão, nos próximos meses, pode se tornar um caos para toda a região. E São Paulo afeta o Rio porque a gente brinca que a previsão de lá é a da capital fluminense amanhã”, afirmou Osmar.

A relação entre a fundação e o Rock in Rio começou em 2001. Segundo Luiz Felipe Carneiro, biógrafo do festival, o fundador do evento, Roberto Medina, buscava evitar que a chuva voltasse a provocar lama na Cidade do Rock, como havia ocorrido na primeira edição, em 1985.

Naquele ano, a fundação foi contratada para atuar durante o festival. O acordo previa pagamento de US$ 10 mil, mas Medina negociou o valor para US$ 2 mil inicialmente e outros US$ 8 mil caso não chovesse. Segundo o relato publicado no livro “Rock in Rio: a história”, não houve chuva na Cidade do Rock durante a edição.

A parceria continuou em outros anos. Em 2011, porém, houve chuva durante o festival. A fundação atribuiu o problema a uma questão logística, alegando que a equipe não conseguiu entrar na Cidade do Rock porque o veículo utilizado para transportá-la não estava credenciado.

A entidade voltou a participar do festival quatro anos depois e também foi contratada para edições internacionais em Las Vegas, nos Estados Unidos, e Lisboa, em Portugal.

“Resolvemos contratar para garantir. Em 2001 iniciamos uma parceria que deu certo. Naquele ano, choveu no Riocentro, mas nenhuma gota caiu na Cidade do Rock. Desde então, não andamos sem ele”, disse Roberta Medina, então vice-presidente do festival, em 2015.

Naquele ano, no entanto, um temporal atingiu a edição. Depois disso, não houve novos contratos com a fundação nas edições de 2017, 2019, 2022 e 2024. Todas registraram chuva.

Segundo Osmar Santos, a FCCC recebeu mais de 2 mil e-mails durante a semana com pedidos para que atuasse no Rock in Rio. A entidade, porém, afirma estar concentrada em uma operação em São Paulo para aumentar o volume de água do Sistema Cantareira, que estaria com menos de 40% de sua capacidade.

“Já são mais de 2 mil e-mails só essa semana com pedidos de pessoas dizendo que vão viajar ao Rio para o festival, mas não estamos trabalhando para o evento. Temos uma operação especial em São Paulo, para encher o Sistema Cantareira, que está com menos de 40% de água. Quando a gente tinha a parceria com o Rock in Rio, começávamos este trabalho de encher os reservatórios seis meses antes. Era o próprio Roberto Medina quem nos procurava. Agora, que o controle está com os filhos, não sei, não fomos procurados, então não somos nós, cheios de trabalho, que podemos ir atrás”, afirmou o porta-voz.

Botão Voltar ao topo