Saúde

Transporte aéreo de órgãos mobiliza rede para salvar vidas

Aeronaves comerciais e da FAB ajudam a levar órgãos e equipes médicas a diferentes regiões do Brasil, em uma operação marcada pela urgência e pela precisão.

O transporte de órgãos para transplantes envolve uma complexa operação que conecta profissionais de saúde, companhias aéreas, aeroportos, órgãos públicos e equipes responsáveis pelo controle do espaço aéreo. Em um país de dimensões continentais, a aviação é fundamental para reduzir o tempo entre a retirada de um órgão e sua chegada ao receptor compatível.

A estrutura para o transporte aéreo gratuito de órgãos começou a ser organizada em 2013, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica que reuniu instituições públicas e privadas. Em 2024, a atividade passou a contar com respaldo legal permanente por meio da Lei nº 14.858, que estabeleceu gratuidade e prioridade para o transporte de órgãos, tecidos e partes do corpo humano destinados a transplantes, além das equipes envolvidas na captação e distribuição.

A coordenação da operação cabe ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT), por meio da Central Nacional de Transplantes (CNT).

Mais de 54 mil itens já foram transportados

Desde 2014, mais de 54 mil itens foram transportados dentro da estrutura de cooperação. O volume inclui órgãos sólidos, tecidos, equipes de captação e transplante, além de caixas e materiais utilizados nos procedimentos cirúrgicos.

Entre os órgãos sólidos transportados estão coração, pulmão, pâncreas, rins e fígado. Quase 19 mil órgãos foram levados por via aérea até seus receptores.

Desse total, aproximadamente 16 mil seguiram em voos comerciais e cerca de 2,5 mil foram transportados em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).

No setor da aviação civil, participam da articulação o Ministério de Portos e Aeroportos, por meio da Secretaria Nacional de Aviação Civil, e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Tempo é fator decisivo

Depois da retirada, cada órgão possui um período limitado em condições adequadas para o transplante. Por isso, a logística precisa combinar rapidez, segurança e precisão.

A extensão territorial brasileira torna o transporte aéreo especialmente importante. Dependendo da localização do doador e do receptor, um órgão pode precisar percorrer centenas ou milhares de quilômetros antes de chegar ao destino.

Quando a Central Nacional de Transplantes define para onde o órgão será enviado, diferentes estruturas entram em ação. O Sistema Nacional de Transplantes aciona o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e as companhias aéreas.

No CGNA, profissionais acompanham as condições da malha aérea e avaliam alternativas de voos, trechos e rotas para que o órgão e as equipes médicas cheguem ao destino dentro do prazo necessário.

Quando existe uma opção adequada na aviação comercial, o transporte é realizado pela malha regular. Em situações que exigem outra alternativa, a Força Aérea Brasileira pode ser acionada.

Operação depende de uma grande rede

O transporte representa apenas uma das etapas de uma cadeia que começa com a identificação de um potencial doador e envolve equipes médicas, centrais de transplantes, profissionais de logística, companhias aéreas, aeroportos, controle do espaço aéreo e órgãos públicos.

Cada participante precisa atuar de forma coordenada para garantir que o órgão percorra o trajeto com segurança e dentro do período adequado para o transplante.

Por trás de cada transporte existe ainda uma história que começa com a decisão de uma família de autorizar a doação e termina com a possibilidade de uma nova oportunidade para quem aguardava um transplante.

Doação começa com uma conversa em família

No Brasil, não é necessário registrar em cartório a intenção de ser doador, portar documento específico ou fazer algum cadastro para manifestar essa vontade.

O procedimento fundamental é conversar com os familiares e informar a decisão de doar. Após a morte, cabe à família autorizar a doação dos órgãos.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, reforça a importância desse diálogo. A partir da autorização, uma extensa rede de profissionais começa a trabalhar para que os órgãos cheguem aos pacientes que aguardam por um transplante.

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