Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, organizaram uma manifestação de rua após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A mobilização começou entre alunos do curso de Direito e ganhou adesão de centros acadêmicos, atléticas de outras graduações e moradores da cidade.
A articulação teve início na noite da apuração, quando estudantes passaram a trocar mensagens em grupos de WhatsApp para organizar uma resposta ao resultado eleitoral e mobilizar apoiadores para o segundo turno.
Luísa Valentina, estudante de Direito e diretora do Centro Acadêmico, relatou que a iniciativa buscava impedir que o resultado provocasse desmobilização entre os apoiadores da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Logo que acabou a apuração, a gente viu que precisava fazer algo pra não deixar o sentimento de desesperança chegar, o sentimento de entreguismo chegar no nosso lado”, afirmou.
Na manhã de 5 de outubro, os organizadores divulgaram a convocação para o ato, previsto para o fim da tarde. A iniciativa, inicialmente articulada por estudantes de Direito e integrantes da atlética do curso, recebeu apoio de representantes de outras graduações.
A concentração começou às 18h, nas proximidades da faculdade. Com o aumento do público, as falas previstas pelos organizadores não puderam ser ouvidas por todos os presentes. O grupo ocupou ruas da região, passou pela reitoria e seguiu em direção a Icaraí.
Segundo Luísa Valentina, cerca de três mil pessoas participaram da manifestação. Ela também relatou que moradores desceram de prédios para se juntar ao protesto.
Nos dias seguintes, estudantes da UFF participaram de outras mobilizações, incluindo um grande ato realizado no Centro do Rio de Janeiro. As manifestações passaram a reunir diferentes setores da sociedade e ampliaram a articulação em torno da campanha para o segundo turno.
Para Isabella Cardoso, estudante de Serviço Social da UFF e integrante do Movimento Kizomba, a mobilização também está relacionada à experiência da universidade durante o governo de Jair Bolsonaro.
Ela recordou os cortes orçamentários que atingiram instituições federais de ensino e as dificuldades enfrentadas por estudantes que dependiam de bolsas de pesquisa e de políticas de permanência estudantil.
Segundo Isabella, a possibilidade de retorno desse cenário contribuiu para a decisão de organizar os atos.
“Foi um período de trevas. E a gente não queria que isso acontecesse, então, falamos, vamos se organizar para ontem, vamos pra rua”, disse.
A estudante também destacou que a mobilização em defesa da educação pública faz parte de uma trajetória anterior de organização política na universidade.
“A luta retornou, na verdade. Essa vitória foi em favor da educação, porque a nossa luta em prol da educação é todo dia”, afirmou.
A resistência de setores da comunidade acadêmica à presença de Jair Bolsonaro na UFF remonta a anos anteriores. Em 2011, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro participou de uma mesa-redonda na Faculdade de Direito com o tema “homoafetividade”.
Na ocasião, ele recebeu de dois vereadores de Niterói moções de repúdio aprovadas pela Câmara Municipal em razão de declarações homofóbicas exibidas em um programa de televisão. Segundo o relato, Bolsonaro rasgou os documentos e deixou o local sob vaias.
A história é citada por estudantes como parte do contexto da mobilização atual e da defesa de uma universidade pública comprometida com a inclusão e a liberdade de expressão.
Após a vitória de Lula no segundo turno, os organizadores anunciaram uma nova manifestação para as 19h, na Faculdade de Direito da UFF. A atividade foi apresentada como uma oportunidade de comemorar o resultado eleitoral e manter a mobilização estudantil em torno da educação pública.





