“Esqueletos de aço” na Baía de Guanabara viram fonte de recursos para estaleiro
O Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), localizado na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, passou a concentrar esforços no desmantelamento de embarcações inacabadas como parte da estratégia para cumprir compromissos previstos em seu processo de recuperação judicial.
A comercialização de peças, equipamentos e sucata de aço naval retirada de navios parados há anos tornou-se uma fonte importante de recursos para viabilizar pagamentos a antigos funcionários e outros credores trabalhistas.
O Eisa é apontado como o único estaleiro da Baía de Guanabara com licença ambiental autorizada para realizar o desmantelamento de embarcações. Antes de assumir novos contratos de reciclagem naval, porém, a empresa precisa liberar as áreas atualmente ocupadas pelos próprios navios inacabados.
Entre as estruturas que permanecem no local estão duas embarcações ligadas ao antigo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), uma encomendada pela estatal venezuelana PDVSA e outra cujo corte de chapas já começou.
A retirada desses cascos é considerada uma etapa importante para a reorganização das instalações e para a retomada de atividades no setor naval.
A 1ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) autorizou a venda, por leilão judicial, de um lote com 6.314 toneladas de sucata de aço naval do tipo ASTM A131. O material foi obtido a partir do corte de navios porta-contêineres e petroleiros.
O lote foi avaliado em R$ 11,5 milhões. A receita da alienação está vinculada à realização de pagamentos extraordinários a ex-funcionários, mediante autorização da Justiça e do Ministério Público.
A operação representa uma etapa financeira relevante para o estaleiro, que busca cumprir obrigações acumuladas durante o período de paralisação de grandes projetos.
Além de gerar recursos para os compromissos trabalhistas, o desmantelamento dos navios permite retirar estruturas que ocupam áreas do complexo industrial há anos.
Com a remoção dos cascos e o encaminhamento dos litígios relacionados aos antigos projetos, a empresa pretende avançar na regularização de suas obrigações jurídicas e reorganizar o parque industrial para futuras atividades ligadas à indústria naval.
O processo também poderá abrir espaço para novos contratos de reciclagem marítima, desde que sejam atendidas as condições necessárias para a retomada dessas operações.





