Firjan cobra conversão de investimentos em petróleo em desenvolvimento industrial no RJ
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) defende que os investimentos previstos para o setor de petróleo e gás sejam convertidos em desenvolvimento industrial, inovação e geração de empregos no estado. A avaliação foi apresentada em nota técnica sobre os leilões realizados no início de outubro pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo a entidade, as nove áreas relacionadas ao território fluminense somam aproximadamente R$ 633 milhões em bônus de assinatura e R$ 806 milhões em investimentos exploratórios mínimos. Entre as empresas que arremataram blocos, individualmente ou em consórcios, estão Petrobras, Equinor, PRIO, Galp, Sinopec e CNOOC.
Para a Firjan, a exploração dessas áreas é importante para a reposição de reservas e a manutenção da produção nos próximos anos. O desafio, porém, é ampliar os efeitos econômicos dos projetos, garantindo que parte dos investimentos resulte em encomendas para a indústria brasileira, especialmente para os fornecedores do Rio de Janeiro.
A entidade avalia que a cadeia de petróleo e gás movimenta um amplo mercado de bens e serviços, com reflexos em diferentes etapas dos projetos: investimentos de capital (CAPEX), operação (OPEX) e descomissionamento de instalações (ABEX).
De acordo com a nota técnica, o Rio de Janeiro concentra 23 dos 49 estaleiros brasileiros e mais de 1,2 mil empresas fornecedoras de bens e serviços. O estado também possui uma carteira de projetos de energia superior a US$ 180 bilhões, previstos para 2027 a 2030 ou períodos posteriores. Desse total, US$ 98 bilhões correspondem a iniciativas de petróleo e gás, segundo o painel de projetos da Firjan.
A influência da cadeia produtiva também alcança diferentes segmentos industriais. Dos 99 sindicatos patronais ligados à federação, 24 são diretamente impactados pelas atividades do setor, enquanto outros 35 sofrem efeitos indiretos. Entre os mercados relacionados estão construção naval, metalmecânico, eletroeletrônico, químico e de plásticos.
A entidade aponta ainda que os efeitos econômicos se estendem a outros 40 setores, ampliando o potencial de geração de negócios para empresas de diferentes áreas.
Um dos principais pontos levantados pela federação é a necessidade de transformar os investimentos anunciados em contratos efetivos para empresas brasileiras e fluminenses. Para isso, a instituição defende medidas que aumentem a competitividade dos fornecedores nacionais e deem maior previsibilidade às demandas das operadoras.
Entre as propostas estão o aperfeiçoamento das regras de Conteúdo Local e o estímulo à realização, no Brasil, de etapas estratégicas da construção e operação de plataformas, como a integração de módulos e o comissionamento de unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás, conhecidas como FPSOs.
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, relacionou essas oportunidades às vocações econômicas do estado, incluindo transição energética, economia do mar, complexo portuário-logístico e indústria metalmecânica.
Segundo ele, o aproveitamento do ciclo de investimentos em petróleo e gás pode fortalecer atividades já consolidadas e ampliar a inovação, a diversificação econômica e a integração entre diferentes segmentos produtivos.
A gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, afirmou que o objetivo é fazer com que os recursos previstos se traduzam em contratos, capacidade tecnológica, empregos qualificados e maior geração de valor no estado.
A executiva também destacou a importância de um ambiente regulatório integrado, capaz de articular as regras de Conteúdo Local com investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e mecanismos de incentivo aos fornecedores nacionais.
Na avaliação da entidade, essas medidas podem ampliar a participação da indústria fluminense nos projetos de petróleo e gás e fortalecer a posição do Rio de Janeiro não apenas como produtor de energia, mas também como centro de desenvolvimento tecnológico e industrial.





