O Centro de Niterói poderá passar dos atuais 18 mil para 40 mil moradores nos próximos dez anos. A projeção foi apresentada pelo prefeito Rodrigo Neves nesta segunda-feira (27), durante a segunda edição do encontro “Caminhos de Niterói – Reviver Centro”, realizado no auditório da Editora Globo, no Centro do Rio de Janeiro.
O evento reuniu representantes do poder público e do setor imobiliário para discutir investimentos e estratégias de reocupação da região central. Na avaliação do prefeito, o Centro será um dos principais vetores de desenvolvimento de Niterói nos próximos anos.
Durante o debate “Centro vivo: como trazer pessoas de volta à zona central”, Neves destacou que a revitalização depende de um conjunto de iniciativas, que inclui obras de infraestrutura, novos equipamentos culturais e estímulos à construção e à recuperação de imóveis.
Entre as intervenções citadas pelo prefeito estão a modernização da infraestrutura das avenidas Visconde do Rio Branco e Amaral Peixoto, além da implantação de novos equipamentos.
Segundo o cronograma apresentado por Neves, a Arena Niterói deverá ser inaugurada em junho, enquanto o Distrito de Inovação da Cantareira tem previsão de abertura em agosto. A programação de projetos futuros inclui ainda a Fundação Oscar Niemeyer e o Museu do Cinema Brasileiro.
“O programa Reviver Centro inclui várias estratégias que, concatenadas, vão resultar em um grande crescimento do Centro de Niterói”, afirmou o prefeito, ao destacar que a região passou por um processo de degradação após a fusão do antigo estado do Rio de Janeiro com o estado da Guanabara.
Neves também informou que 35% das negociações imobiliárias realizadas atualmente em Niterói envolvem imóveis localizados no Centro. De acordo com a estimativa apresentada por ele, a iniciativa privada deverá entregar cerca de 6 mil imóveis na região nos próximos três anos, com investimentos aproximados de R$ 3 bilhões.
Uma das ferramentas previstas para impulsionar a reocupação da região é o Fundo de Desenvolvimento Imobiliário do Centro de Niterói (FDICN), criado por lei municipal em parceria com a Caixa Econômica Federal.
O mecanismo tem como objetivo oferecer crédito com juros subsidiados para projetos imobiliários residenciais e hoteleiros, tanto em novas construções quanto na requalificação de edifícios existentes. O fundo também poderá viabilizar desapropriações consideradas estratégicas.
Segundo Rodrigo Neves, serão disponibilizados R$ 400 milhões para financiar as iniciativas.
“Vai ser muito atraente fazer retrofit e novas moradias no Centro. Estamos construindo a cidade com qualidade de vida para as pessoas”, declarou o prefeito. Ele acrescentou que a revitalização integra um planejamento de longo prazo, com horizonte de 25 anos, e que a estratégia municipal está sendo atualizada para projetar o desenvolvimento da cidade até 2050.
A arquiteta e urbanista Verena Andreatta, que participou do encontro, afirmou que o município vem adotando medidas de requalificação urbana e planejamento estratégico com participação dos moradores.
Para ela, o aumento da população residente pode ampliar a oferta de serviços e fortalecer a ocupação da região central. Andreatta também destacou a importância da recuperação dos espaços públicos.
Já o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói (Ademi-Niterói), Julio Kezem, avaliou que as ações em andamento contribuem para recuperar a atratividade do Centro como opção de moradia.
Segundo Kezem, a saída de empresas e o esvaziamento da região marcaram um período anterior, enquanto os projetos atuais representam uma tentativa de reverter esse cenário.
A programação do encontro também incluiu o debate “Economia do futuro: inovação e novos polos de desenvolvimento”, com a participação da secretária municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Marcele Sardinha; do reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antônio Claudio da Nóbrega; e da gerente de Ambientes de Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Julia Zardo.
Um dos assuntos discutidos foi a criação do Distrito de Inovação da Cantareira, em São Domingos. Instalado no histórico prédio da Cantareira, o espaço pretende aproximar universidades, centros de pesquisa, empresas e governo para desenvolver soluções tecnológicas.
Entre as áreas previstas como foco estão computação de alto desempenho, inteligência artificial e computação quântica. A proposta é estruturar um ambiente integrado de ciência, tecnologia e inovação, ampliando a participação de Niterói na economia baseada em conhecimento.





