Polícia Civil indicia oito pessoas em investigação sobre fraude bilionária
A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, nesta sexta-feira (6), a segunda fase da Operação Lázaro, que investiga um esquema de fraude envolvendo a reativação irregular de um banco extinto há mais de 60 anos. A suspeita é de que o grupo pretendia se apropriar de um crédito superior a R$ 2 bilhões.
A ação foi conduzida por agentes da Delegacia de Defraudações (DDEF), que cumpriram dez mandados de busca e apreensão em imóveis de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, e nos bairros de Botafogo e Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.
Durante as diligências, os policiais apreenderam R$ 95 mil, além de 6 mil euros e 4 mil dólares. Ao fim das investigações, oito pessoas foram indiciadas por falsidade ideológica, estelionato, corrupção ativa, corrupção passiva e associação criminosa.
Banco extinto teria sido reativado irregularmente
As investigações apontam que, em 2024, um grupo de pessoas que se apresentavam como acionistas conseguiu restabelecer o registro de uma instituição financeira que encerrou oficialmente suas atividades em 1964, após um processo de liquidação aprovado pelos próprios acionistas.
Segundo a apuração, a reativação teria ocorrido apesar de decisões judiciais e manifestações técnicas contrárias à medida. O objetivo dos investigados seria reivindicar direitos sobre um crédito bilionário relacionado à desapropriação de uma área de aproximadamente 153 mil metros quadrados, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio.
Os policiais identificaram que, após a liquidação do banco, na década de 1960, as ações da companhia deixaram de existir e os ativos remanescentes foram distribuídos entre os antigos acionistas. Mesmo assim, décadas depois, pessoas que afirmavam representar a instituição ou integrar seu quadro societário teriam articulado a retomada do registro empresarial.
Manifestação fraudada teria sido usada no processo
Outro ponto identificado pela investigação foi o uso de uma manifestação fraudada do Ministério Público como fundamento para a reativação dos registros do banco.
De acordo com as apurações, o documento teria sido elaborado por um estagiário da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que representava um dos investigados. Para isso, teria sido utilizada indevidamente a senha de acesso de uma assessora do órgão.
Oito pessoas foram indiciadas
A primeira fase da Operação Lázaro foi deflagrada em junho deste ano, também pela Delegacia de Defraudações. Na ocasião, os agentes recolheram documentos e materiais que contribuíram para o aprofundamento das investigações.
Com o cumprimento dos dez mandados nesta sexta-feira, a Polícia Civil informou que concluiu a investigação. Entre os oito indiciados estão advogados, servidores públicos e dois ex-presidentes de um órgão público.





