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Fernanda Torres encerra FLIN 2026 após público de 50 mil

Festa Literária Internacional de Niterói superou em mais de 65% a expectativa inicial e reuniu mais de 200 convidados em quatro dias

A Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026 terminou neste domingo (16), no Reserva Cultural, após quatro dias de programação gratuita que reuniram mais de 50 mil visitantes. O público superou em mais de 65% a expectativa inicial de 30 mil pessoas.

Promovida pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), a edição deste ano teve como tema “Territórios das Palavras” e homenageou a intelectual, antropóloga e ativista Lélia Gonzalez.

O encerramento contou com a participação da atriz e escritora Fernanda Torres, que conversou com o público sobre literatura, teatro, atuação, processo criativo e escrita. Na Sala Nelson Pereira dos Santos, ela encerrou a programação oficial com a leitura do primeiro capítulo de seu romance “A Glória e seu Cortejo de Horrores”.

“Quando fui escrever, muito do meu treino de atriz entrou no processo. Existe um exercício muito grande de se colocar no personagem, pensar o que ele faria, o que responderia e enxergar o mundo pelo ponto de vista de outra pessoa. Às vezes, um personagem ajuda você a explorar até uma coisa sua que você ainda não tinha explorado. Acho que o livro básico para entender o Brasil é Memórias Póstumas de Brás Cubas. É curto e é uma porta de entrada extraordinária para entender como somos. O que Machado (de Assis) faz com Brás Cubas é muito mais assustador e profundo porque ele mergulha no lado arcaico do ser humano. Depois, se a pessoa gostar, daria Nelson Rodrigues, O Beijo no Asfalto. E, claro, Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, e Os Sertões, que é quase um tratado científico sobre o Brasil”, afirmou Fernanda Torres.

Outro destaque do encerramento foi o cantor e escritor Emicida, que participou da mesa “De onde cê vem?”, mediada pela jornalista Luciana Barreto. O encontro abordou literatura, oralidade, música, memória, cultura periférica e formação de identidade.

A programação do último dia também reuniu Aydano André Motta, Luiz Rufino e Beatriz Chacon na mesa “Subúrbios, periferia e boemia”; Ariani Castelo e Giu Domingues no painel “Fábulas, fantasias e odisseias”; Cidinha da Silva, Preto Zezé e Elisa Larkin Nascimento no debate “Ancestralidade e transformação social”; e Carol Loback, Fabiana Karla e Flávia Reis na mesa “O riso e a mulher”.

No Palco Territórios, o fim da tarde teve o “Sarau Ocupação Afropoética”, com Sol de Paula. A programação também incluiu uma mesa sobre autoficção, com Tatiana Salem Levy e Tati Bernardi, e o debate “Narrativas e Histórias”, com Mary Del Priore, Flávio Carneiro e Cláudia Mesquita.

Mais de 200 convidados participaram da FLIN

Ao longo dos quatro dias, a FLIN 2026 ofereceu mais de 62 horas de programação e reuniu mais de 200 convidados. A participação de escritores locais e regionais mais que dobrou em relação ao ano anterior, chegando a 257 autores inscritos de Niterói, Rio de Janeiro, Maricá, Itaboraí e São Gonçalo.

Entre os convidados estiveram Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Valter Hugo Mãe, Eliana Alves Cruz, Ruy Castro, Jout Jout, Fabrício Carpinejar, Ana Maria Machado, Ondjaki, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas, Lilia Schwarcz, Marcelo Quintanilha, Jessé Souza, Marcelo Adnet, Ana Paula Araújo, Miriam Leitão, Stefano Volp, Mariana Salomão Carrara, Otávio Junior, Teresa Cristina, Déia Freitas e Geni Núñez.

A cadeia do livro também teve participação ampliada. O número de editoras passou de 10, em 2025, para 13 em 2026. Três livrarias venderam 4 mil livros durante o evento, enquanto o cadastro de editoras e livrarias para o recebimento do Cartão Arariboia aproximou a política cultural da economia do livro.

A Academia Brasileira de Letras (ABL) doou 1.500 livros durante a festa, enquanto a Biblioteca Nacional apoiou a realização do evento com a participação de acadêmicos em diferentes mesas.

A FLIN também promoveu ações voltadas à formação de leitores e à responsabilidade social e ambiental. Estudantes da rede pública participaram das atividades, enquanto o Instituto Léo Solidário realizou uma iniciativa de troca de livros por resíduos. A festa também arrecadou alimentos para a campanha 1 Kg de Alimentos Solidários, destinados ao Banco de Alimentos de Niterói.

Com programação gratuita, tradução em Libras e audiodescrição em diversas atividades, a edição de 2026 encerrou reforçando a literatura como instrumento de acesso, encontro e transformação.

“Um dos nossos pilares é o Espaço Nikitinhos, 100% voltado às crianças, porque acreditamos que a literatura deve estar presente desde a infância. Outra marca que consolidamos é a diversidade de linguagens: reunimos nomes como Emicida, Conceição Evaristo, Teresa Cristina e Marcelo Adnet. Essa pluralidade aproxima pessoas que por vezes nem se descobriam leitoras e saem do evento transformadas, lendo mais e influenciando seu entorno”, avaliou Micaela Costa.

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