Brasil registra menor número de crianças em situação de trabalho infantil
O Brasil registrou, em 2025, o menor contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada na sexta-feira (16), 1,499 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos estavam nessa condição, uma queda de 9,2% em relação a 2024.
O número representa 4% da população brasileira nessa faixa etária. Do total, 1,141 milhão realizavam atividades econômicas, enquanto 358 mil estavam envolvidos exclusivamente na produção para o próprio consumo.
Após uma redução em 2023 e uma pequena alta em 2024, o indicador voltou a cair no ano passado. Entre 2022 e 2025, a proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil recuou 0,9 ponto percentual.
Trabalho infantil aumenta com a idade
Os dados do IBGE mostram que a incidência cresce conforme a idade avança. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, o percentual chegou a 14,5%.
A pesquisa também identificou impactos na frequência escolar. Entre os jovens de 16 e 17 anos que estavam em situação de trabalho infantil, 79,6% frequentavam a escola. Na população total dessa mesma faixa etária, o índice era de 89,6%.
Em 2025, o levantamento estimou ainda que 525 mil crianças e adolescentes estavam ocupados em atividades classificadas entre as piores formas de trabalho infantil, o menor número da série histórica.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), nem toda atividade realizada por crianças e adolescentes é classificada como trabalho infantil. A definição abrange trabalhos perigosos ou prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento físico, mental, social ou moral, além daqueles que interferem na escolarização.
Sudeste concentra maior número de casos
Na distribuição regional, o Sudeste apresentou o maior contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil pessoas. O Nordeste apareceu em seguida, com 408 mil.
Quando a análise considera a proporção em relação à população de 5 a 17 anos, o cenário é diferente. A Região Norte registrou o maior percentual, de 6,3%, enquanto o Sudeste apresentou o menor, com 3,3%.
A redução também foi observada entre meninos e meninas. De 2024 para 2025, o número de meninos nessa situação caiu 10%, passando de aproximadamente 1,089 milhão para 980 mil. Entre as meninas, a queda foi de 7,5%, de 561 mil para 519 mil.
Bolsa Família registra queda expressiva
A pesquisa aponta que a diminuição do trabalho infantil ocorreu principalmente entre crianças e adolescentes que vivem em domicílios beneficiários do Bolsa Família.
Em 2025, cerca de 13,1 milhões de pessoas de 5 a 17 anos moravam em residências que recebiam o benefício, o equivalente a 34,7% da população dessa faixa etária.
Entre os beneficiários, 573 mil crianças e adolescentes estavam em situação de trabalho infantil, o equivalente a 4,4%. No conjunto da população de 5 a 17 anos, o índice era de 4%.
Em 2016, a proporção entre os beneficiários do programa era de 7,3%, enquanto o indicador para a população total chegava a 5,2%. Em 2025, a diferença entre os dois percentuais caiu para 0,4 ponto percentual.
Na comparação anual, o trabalho infantil entre os beneficiários do Bolsa Família recuou 20,1%, o equivalente a 144 mil crianças e adolescentes a menos nessa condição. A redução respondeu por mais de 95% da queda total registrada no país entre 2024 e 2025, quando o contingente nacional diminuiu em 151 mil pessoas.
Trabalho doméstico atinge 15,9 milhões de jovens
O levantamento também analisou tarefas domésticas não remuneradas e atividades de cuidado de pessoas realizadas por crianças e adolescentes em suas próprias casas ou na residência de parentes.
Em 2025, 15,9 milhões de pessoas de 5 a 17 anos realizavam esse tipo de atividade, o equivalente a 42,1% da população dessa faixa etária.
A proporção foi maior entre adolescentes de 16 e 17 anos, chegando a 64,6%. Entre aqueles de 14 e 15 anos, o percentual ficou em 60,7%. Já na faixa de 5 a 13 anos, foi de 32,7%.
A diferença entre os gêneros também apareceu nos resultados: 47,9% das meninas realizavam tarefas domésticas ou atividades de cuidado, ante 36,6% dos meninos.
Entre as crianças e os adolescentes envolvidos nessas tarefas, 86,5% dedicavam até 14 horas por semana às atividades, enquanto 8,4% gastavam entre 15 e 24 horas.
O IBGE estimou ainda que 15 milhões realizavam afazeres domésticos ou cuidados de pessoas, mas não exerciam atividades econômicas. Outros 944 mil acumulavam os dois tipos de trabalho.





