
Construção de submarinos em Itaguaí reforça defesa nacional
A construção de submarinos em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, integra um dos principais projetos estratégicos da Marinha do Brasil. Instalado na Ilha da Madeira, o complexo naval reúne infraestrutura especializada, profissionais brasileiros e transferência de tecnologia para fortalecer a capacidade nacional de desenvolver e manter equipamentos voltados à defesa marítima.
Um dos avanços recentes do programa foi a conclusão da primeira imersão estática do submarino Almirante Karam (S43), realizada na região marítima de Itacuruçá, próxima ao Complexo Naval de Itaguaí. Divulgada pela Marinha em setembro de 2026, a etapa permitiu verificar a estanqueidade do casco, o funcionamento dos sistemas de bordo e o comportamento da embarcação na água.
Testes preparam submarino para novas etapas
Durante a imersão estática, o submarino é colocado na água em condições controladas, sem utilizar a própria propulsão para se deslocar. Militares, engenheiros e técnicos acompanham aspectos como equilíbrio, estabilidade, peso e inclinação, comparando os resultados práticos com os parâmetros previstos durante o projeto.
A avaliação também contribui para familiarizar a tripulação com o comportamento da embarcação e preparar os profissionais para os próximos testes.

“Para a tripulação, acompanhar a imersão estática é um momento muito importante. É quando passamos a conhecer, na prática, o comportamento do submarino na água. Os dados obtidos nesta etapa aumentam a nossa familiaridade com o meio e contribuem para a preparação dos próximos testes”, afirmou o comandante do Almirante Karam, capitão de fragata Leandro Amaral.
O cronograma prevê avaliações progressivamente mais complexas, incluindo navegação na superfície, imersão dinâmica e testes de desempenho dos sistemas de bordo. A incorporação do submarino ao setor operativo da Marinha está prevista para o segundo semestre de 2027.
Programa amplia capacidade tecnológica brasileira
O Almirante Karam é o quarto submarino da Classe Riachuelo, desenvolvida com base no projeto francês Scorpène e adaptada às necessidades operacionais brasileiras. Os três primeiros integrantes da classe — Riachuelo (S40), Humaitá (S41) e Tonelero (S42) — já foram incorporados à Marinha.
A construção do Karam é realizada pela Itaguaí Construções Navais (ICN), dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), estabelecido a partir da parceria estratégica entre Brasil e França.
Além da fabricação das embarcações, o programa prevê transferência de tecnologia, capacitação de profissionais e desenvolvimento de uma estrutura industrial especializada no país. A iniciativa envolve conhecimentos de engenharia, metalurgia, eletrônica, navegação, comunicação e detecção.
O domínio dessas áreas contribui para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e ampliar a capacidade brasileira de construir, avaliar e manter equipamentos complexos destinados à defesa.
Para o diretor-presidente da ICN, Pierre Edouard Gille, a primeira imersão estática representa uma etapa importante para a empresa e para os profissionais envolvidos no projeto.
“A primeira imersão estática do Submarino Almirante Karam representa um marco para a ICN e para todos os profissionais envolvidos no PROSUB. É nessa etapa que o trabalho realizado no projeto, na construção e na integração dos sistemas começa a ser confirmado na água. O resultado demonstra a capacidade técnica desenvolvida no Brasil e nasce da atuação conjunta da Marinha, da ICN e de nossos parceiros. Meu reconhecimento a cada profissional que contribuiu para que o Karam chegasse a este momento e pudesse seguir com segurança para os próximos testes”, declarou.
Por que o complexo naval de Itaguaí é estratégico?
A estrutura instalada na Ilha da Madeira concentra etapas importantes do programa de submarinos da Marinha. A experiência acumulada na construção das embarcações da Classe Riachuelo contribui para a continuidade do projeto e para o desenvolvimento de novas competências industriais.
A importância estratégica da iniciativa está ligada também à dimensão marítima brasileira. A extensa costa do país e suas áreas oceânicas abrigam rotas comerciais, atividades pesqueiras e recursos naturais relevantes para a economia. Nesse cenário, a capacidade de monitorar e proteger os interesses nacionais no mar depende de meios navais e de profissionais especializados.
O Prosub inclui ainda o desenvolvimento do submarino brasileiro com propulsão nuclear, denominado Álvaro Alberto, que terá armamento convencional. Esse projeto representa uma frente tecnológica diferente da construção dos submarinos convencionais da Classe Riachuelo e exige conhecimentos e infraestrutura altamente especializados.
O Almirante Karam, por sua vez, utiliza propulsão convencional e passa por testes destinados a confirmar o desempenho da embarcação antes de sua entrada em operação.
Conhecimento e empregos especializados no país
A construção de submarinos movimenta uma cadeia industrial que reúne profissionais de diferentes especialidades, empresas fornecedoras e instituições ligadas à pesquisa e à formação técnica. A continuidade dessas atividades pode contribuir para manter conhecimento especializado no Brasil e ampliar a capacidade nacional de desenvolver projetos de alta complexidade.
Em Itaguaí, cada etapa do programa representa uma oportunidade de testar sistemas, validar soluções de engenharia e aperfeiçoar processos de construção naval.
A conclusão da imersão estática do Almirante Karam marca mais um avanço na preparação do submarino. As próximas avaliações deverão verificar o desempenho da embarcação em condições progressivamente mais exigentes, antes da incorporação prevista pela Marinha.





