O fechamento de postos de combustíveis em diferentes bairros de Niterói nos últimos dias tem chamado a atenção de moradores e comerciantes. As interrupções ocorreram após a deflagração da sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, o grupo teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A operação também apura a suposta participação de agentes públicos e políticos no esquema.
Mais um posto interrompe as atividades
Além do Posto VIP Gavião, em Icaraí, e do Posto Pendotiba, em Maria Paula, outro estabelecimento que suspendeu o funcionamento foi o Posto Cachoeira, localizado na Avenida Rui Barbosa, em São Francisco.
O local foi interditado com cones e faixas, reforçando as suspeitas de uma possível relação com a investigação. Moradores também relataram que outros postos deixaram de operar nos últimos dias, embora não exista confirmação oficial sobre todas as unidades.
A Prefeitura de Niterói informou apenas que a investigação está sob responsabilidade da Polícia Federal.
Lista divulgada reúne 15 postos em Niterói
Uma relação divulgada pelo ex-secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, João Pires, aponta 15 postos de combustíveis em Niterói que estariam entre os alvos da investigação.
Entre eles estão:
- Posto VIP Gavião (Icaraí);
- Posto Pendotiba (Maria Paula);
- JR Posto de Combustíveis (Icaraí);
- Posto Jardim Uba (Piratininga);
- Posto VIP Cubango (Santa Rosa);
- Posto Tocantins (São Francisco);
- Auto Serviço Cachoeira (São Francisco);
- Brasil 352 (Fonseca);
- Auto Posto Master do Fonseca;
- Auto Posto Natu (Itaipu);
- Comercial Charitas de Petróleo;
- Auto Posto Vancouver (Pendotiba);
- JMX Posto de Gasolina e Serviços;
- Posto Barro Branco IV (Baldeador);
- Auto Posto LP Francis (Barreto).
Até o momento, não há confirmação oficial de que todos os estabelecimentos tiveram suas atividades suspensas.
Segurança Presente mantém abastecimento normalmente
Informações obtidas pela reportagem indicam que um dos postos fechados mantinha contrato para abastecimento das viaturas do programa Segurança Presente.
Em nota, o Governo do Estado informou que o serviço segue funcionando normalmente e que o abastecimento está sendo realizado em outros postos credenciados da cidade, sem prejuízo às operações.
Ipiranga afirma que posto já estava sem vínculo
Sobre o Posto VIP Gavião, a distribuidora Ipiranga informou que o estabelecimento não mantinha mais vínculo com a empresa antes mesmo da deflagração da operação.
Segundo a companhia, a unidade já estava fechada e deverá receber um novo administrador nos próximos meses.
“O revendedor responsável pelo estabelecimento não possui mais vínculo com a Ipiranga e o posto já se encontrava fechado antes da operação. Um novo operador deverá assumir a unidade em breve.”
A empresa destacou ainda que orienta seus revendedores a atuarem em conformidade com a legislação e as normas contratuais.
Operação investiga esquema bilionário
Deflagrada pela Polícia Federal, a Operação Unha e Carne cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em municípios como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões.
Além das buscas, a Justiça determinou bloqueio de bens, indisponibilidade de valores e suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas.
Entre os investigados estão o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim, o policial civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, e o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, o Jura. Todos respondem às investigações, que seguem em andamento.
Contratos públicos também são alvo de apuração
Reportagem do portal Metrópoles apontou que uma empresa citada na investigação mantém contratos com a Prefeitura de Niterói para prestação de serviços de reboque.
Segundo a publicação, os contratos somam cerca de R$ 3,8 milhões após aditivos contratuais. A investigação também cita a concessão de um posto de combustíveis no município e a suposta utilização de pessoas apontadas como “laranjas” na administração de empresas investigadas.
A Prefeitura de Niterói, a Polícia Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Governo do Estado foram procurados para comentar o caso. Até o momento da publicação, os órgãos não haviam se manifestado sobre os novos desdobramentos.





