“Imposto do pecado” pode encarecer cerveja e bebidas em 2027
Novo tributo da reforma tributária poderá elevar custos de bebidas alcoólicas e açucaradas, com possíveis reflexos para consumidores, bares, restaurantes e supermercados.
O Imposto Seletivo (IS), criado pela reforma tributária para aumentar a tributação sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, começa a ganhar impacto a partir de 2027. Entre os itens que poderão ser afetados estão bebidas alcoólicas, refrigerantes, cigarros, veículos poluentes, apostas e produtos da mineração.
As alíquotas para cada produto ainda não foram definidas. Por isso, especialistas afirmam que não é possível calcular neste momento quanto os preços deverão subir. A expectativa, porém, é de que parte do aumento dos custos seja repassada ao consumidor ao longo da cadeia de produção e distribuição.
Entre as bebidas, a cerveja aparece como um dos produtos que merecem atenção devido ao alto volume de consumo no país. Destilados, como vodca e uísque, podem sofrer impacto proporcionalmente maior em razão do teor alcoólico, enquanto vinhos também deverão ser afetados.
Para bares e restaurantes, o cenário preocupa porque muitos estabelecimentos trabalham com margens reduzidas. Empresários terão de avaliar quanto do eventual aumento poderá ser absorvido e quanto precisará ser repassado aos preços, levando em conta também o comportamento dos consumidores.
A reforma tributária prevê uma redução de 40% nas alíquotas de IBS e CBS para alimentação em bares e restaurantes, mas o benefício não se aplica às bebidas. Segundo especialistas, esse mecanismo poderá ajudar parcialmente o setor, mas não elimina os efeitos do Imposto Seletivo sobre os produtos atingidos.
Supermercados também deverão sentir os efeitos da nova tributação. A expectativa é que eventuais reajustes apareçam nas prateleiras a partir de 2027, quando o Imposto Seletivo passar a incidir de forma plena.
Além das bebidas alcoólicas, estão na lista do Imposto Seletivo produtos como cigarros e derivados do tabaco, refrigerantes, veículos, aeronaves, embarcações, apostas e jogos, combustíveis fósseis e bens minerais. As alíquotas, no entanto, serão diferentes conforme cada categoria e ainda dependem de regulamentação.
Para empresários do setor de alimentação, uma das principais preocupações é o risco de redução do consumo caso os preços aumentem. Donos de restaurantes e outros estabelecimentos também avaliam medidas como redução de desperdícios, renegociação com fornecedores e melhoria da eficiência operacional antes de repassar integralmente os custos aos clientes.
Apesar das expectativas de aumento, entidades do setor ressaltam que ainda é cedo para projetar os efeitos concretos. A definição das alíquotas e das regras de aplicação será fundamental para determinar o impacto sobre preços, faturamento, consumo e competitividade dos estabelecimentos.





