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René Simões revela plano de 10 anos para o Maricá F.C.

Novo CEO do Tsunami projeta clube de primeira divisão com foco na formação de atletas, ciência, estrutura, inclusão social e aproximação com a torcida.

A chegada de René Simões ao Maricá F.C. marca o início de um projeto de reconstrução com horizonte de dez anos. Aos 73 anos, o treinador e gestor assume como CEO do clube com a proposta de transformar o Tsunami dentro e fora de campo.

Com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, pela Seleção Jamaicana na Copa de 1998, na França, e pela seleção feminina brasileira, que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, René afirma que pretende trabalhar em diferentes áreas para construir uma nova identidade para o Maricá F.C.

Em sua primeira entrevista como CEO, ele apresentou os principais pilares do projeto, que incluem formação de atletas, educação, preparação mental, inclusão social, ciência, tecnologia, prevenção de lesões, estrutura esportiva e relacionamento com os torcedores.

A chegada ao Maricá F.C.

René contou que inicialmente não pretendia retornar ao futebol. Segundo ele, a mudança de planos aconteceu após um convite feito por Bismarck, ex-jogador de Vasco e Seleção Brasileira, para conhecer o projeto apresentado pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá.

“Eu estava muito bem em casa. Não queria voltar, estava ótimo, cuidando dos meus restaurantes e fazendo as minhas mentorias, como a do Filipe Luís.” — René Simões

Após conversar com Quaquá, o treinador afirma ter se convencido da dimensão do projeto e da disposição do município em investir em uma iniciativa de longo prazo.

O que mais chamou sua atenção, segundo René, foi a proposta de oferecer oportunidades a jovens de comunidades e assentamentos, grupo que ele define como “invisíveis”.

“E o que mais me tocou não foi o clube em si, pois trabalho no futebol há décadas. Mas foi ele dizer que queria trabalhar com os jovens das comunidades e assentamentos, a quem chamo de invisíveis.” — René Simões

Formação além do futebol

Um dos pilares do projeto é a formação de atletas sem separar o desenvolvimento esportivo da formação pessoal.

René criticou o modelo de escolinhas em que famílias precisam arcar com mensalidades, equipamentos, transporte e inscrições em competições. A proposta para o projeto do Maricá F.C. é oferecer acesso gratuito às escolas de formação.

“Hoje em dia, nas escolinhas, você tem que pagar mensalidade, o equipamento, as passagens, inscrição da competição. Paga tudo. Eu acho isso um absurdo. Então vamos fazer diferente aqui. Ninguém vai pagar nada!” — René Simões

Para o CEO, o objetivo não será apenas descobrir jogadores, mas desenvolver pessoas e identificar as características individuais de cada jovem.

“E o projeto não é só formar o jogador, é formar o ser humano. A formação você faz sabendo o que tem dentro dele. Em primeiro lugar, você tem que saber que ele é um ser humano diferente dos outros e tem que ser tratado desse jeito. Depois vem o atleta.” — René Simões

A proposta também prevê levar o modelo para outras regiões do país.

” E vamos levar esse projeto não apenas para Maricá. Mas para o Brasil inteiro.” — René Simões

Perfil individual e educação

A identificação das características individuais dos atletas também estará presente na estrutura educacional. René defende que diferentes comunidades tenham projetos adaptados às suas realidades culturais, mantendo uma metodologia geral de trabalho.

“Nós estamos fazendo uma análise de perfil individualizado, tanto dos atletas como da nossa comissão técnica. Porque cada indivíduo é diferente do outro.” — René Simões

Segundo ele, a ideia é compreender os objetivos de cada pessoa e utilizar essas informações para direcionar sua formação.

“Cada núcleo vai ter um projeto educacional diferente. É óbvio que você vai ter uma metodologia de trabalho igual. Mas aí, quando você entra na parte didática, vai ser de acordo com os aspectos culturais de cada local e comunidade.” — René Simões

O projeto de dez anos

Para René, a transformação do Maricá F.C. dependerá de planejamento e de uma visão de longo prazo. O dirigente afirma que resultados não devem ser esperados de forma imediata.

“Tudo começa num planejamento. Nada que você faça na sua vida é possível sem o planejamento. Você tem que ter os objetivos, metas, você tem que saber que todo projeto é um processo.” — René Simões

Durante os primeiros contatos com o clube, René afirma ter identificado a necessidade de uma mudança de mentalidade.

“O que a gente constatou muito nesse início foi a questão de mentalidade. É você imaginar que o Maricá F.C não é um clube pequeno.” — René Simões

O objetivo é posicionar o clube, no futuro, entre as principais equipes do futebol brasileiro.

“Eu quero fazer do Maricá F.C um clube grande, um clube grande. Quem viver, verá!” — René Simões

A inspiração no Mirassol

O projeto também prevê conhecer experiências de clubes que alcançaram resultados relevantes a partir de estruturas profissionais e planejamento.

René citou o Mirassol como uma referência e afirmou que pretende visitar o clube em setembro, além de conhecer a Microsoft e o Novorizontino, que utiliza um software que o Maricá F.C. pretende implantar.

“Olha o exemplo do Mirassol. Um clube do interior de São Paulo que chegou a uma Libertadores da América. Eu setembro estarei lá para conhecer o projeto.” — René Simões

Ciência, genética e prevenção de lesões

A ciência será outro componente da estrutura planejada para o Maricá F.C. O clube já contratou a Physiogene, empresa citada por René como responsável por um método de análise genética.

A proposta é utilizar informações individuais dos atletas para compreender características físicas e adequar o trabalho de preparação.

“Nós já contratamos a Physiogene (método de análise genética), que a gente vai trabalhar para ver o gene de cada atleta, se ele é um cara rápido, se ele é um cara lento, se ele tem fibra rápida, se não tem.” — René Simões

René também destacou a importância da prevenção de lesões e afirmou que o investimento em cuidados preventivos pode reduzir prejuízos causados por afastamentos de jogadores.

“Então as pessoas, os clubes, os dirigentes, às vezes não investem na prevenção. É muito barato investir na prevenção.” — René Simões

Uma mentalidade coletiva

Para o novo CEO, a construção de uma equipe competitiva depende da capacidade de transformar objetivos individuais em uma meta coletiva.

“Um time de futebol é quando todos têm objetivos individuais, todos nós temos, mas você estabelece um objetivo comum.” — René Simões

Ele definiu esse conceito como “compactação mental”, defendendo que a união entre atletas, comissão técnica e demais profissionais precisa existir tanto dentro quanto fora de campo.

“Precisamos ter a compactação dentro do campo, mas eu quero a compactação mental também.” — René Simões

Reestruturação do elenco

A reformulação também alcançou o elenco profissional. René afirma que conversou individualmente com jogadores e optou pela permanência de alguns atletas considerados importantes para a liderança do grupo.

Segundo ele, foram estabelecidas faixas salariais para organizar o elenco, divididas entre as categorias A, B, C e a base.

A proposta, de acordo com René, é construir um grupo equilibrado e com referências dentro de campo durante o processo de reestruturação.

Nova estrutura para os atletas

O projeto prevê uma ampliação da estrutura oferecida aos jogadores. Entre os planos estão academia, campos de qualidade, centros de pesquisa neurocerebral, laboratório genético, atendimento psicológico, alimentação, acomodação, podologia e acompanhamento do sono.

“A primeira coisa que eu quero é que o jogador sinta e veja aqui um clube grande.” — René Simões

O dirigente defende que o cuidado individual seja incorporado à rotina dos atletas e considera a prevenção um dos elementos centrais do projeto.

“O jogador que vier para o Maricá F.C tem que saber o seguinte: vou para um lugar que eles vão me tratar preventivamente, eles vão me tratar individualmente, vão saber da minha individualidade.” — René Simões

Torcida no centro do projeto

A aproximação com a torcida também aparece entre as prioridades apresentadas pelo CEO. A proposta começa pela base, com a participação de crianças, famílias e escolas nas atividades do clube.

René pretende organizar torneios nos distritos de Maricá e criar seleções locais. O projeto também prevê abrir o Centro de Treinamento para atividades com famílias e receber estudantes para acompanhar treinamentos e jogos.

“Eu não consigo entender um clube sem o torcedor. Torcedor é a alma de tudo.” — René Simões

Ao mesmo tempo, o dirigente afirmou que espera uma relação baseada em respeito e rejeitou manifestações violentas.

“Agora, espero em troca ações civilizadas, porque não posso deixar de passar meu repúdio à violência. Aqui isso não vai caber nunca.” — René Simões

Sócio-torcedor e novas experiências

O Maricá F.C. também estuda a criação de um programa de sócio-torcedor. A ideia, segundo René, é oferecer benefícios que ultrapassem o acesso aos jogos.

“Vamos oferecer entretenimento, benefícios. E isso vai ser anunciando muito em breve.” — René Simões

A intenção é criar uma relação mais próxima entre o clube e quem acompanha a equipe nos estádios.

Novo estádio e Centro de Treinamento

O projeto de futuro do Maricá F.C. inclui ainda um novo estádio e um Centro de Treinamento. René destacou que o estádio terá projeto assinado por Oscar Niemeyer e será climatizado.

“Além de um projeto lindíssimo assinado pelo Oscar Niemeyer, o novo estádio do Maricá F.C vai ser climatizado.” — René Simões

O CEO também afirmou que o clube pretende construir um Centro de Treinamento com estrutura voltada às necessidades do projeto esportivo.

“E o futuro do Maricá FC passa também por um centro de treinamento sensacional e funcional. E nós vamos fazer.” — René Simões

A visão de René sobre Maricá

Apesar de ainda conhecer pouco da cidade, René afirmou ter se impressionado com o que encontrou durante os primeiros contatos com Maricá.

Ele citou a visita ao Hospital Che Guevara e destacou obras e projetos apresentados pelo prefeito Washington Quaquá, incluindo iniciativas relacionadas à infraestrutura e ao projeto do novo estádio.

“Maricá é uma cidade com um potencial gigantesco. E o clube tem que estar alinhado com esse pensamento e ambição.” — René Simões

O projeto de dez anos apresentado pelo novo CEO pretende, portanto, transformar o Maricá F.C. a partir de uma combinação entre formação, ciência, estrutura, educação, inclusão social e aproximação com a torcida.

O objetivo declarado por René Simões é fazer com que o Tsunami deixe de ser visto como um clube pequeno e alcance, no futuro, a primeira divisão do futebol brasileiro.

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