Meu SUS Digital amplia atendimento para quem enfrenta vício em apostas
Novo serviço oferece até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, além de suporte a familiares.
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer, a partir desta terça-feira (5), até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço é realizado de forma remota, sigilosa e acolhedora, com orientação profissional e acompanhamento psicológico, além de atendimento destinado aos familiares.
A iniciativa está disponível por meio do aplicativo Meu SUS Digital e amplia o acesso aos cuidados em saúde mental, funcionando como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O acesso ao atendimento é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário para a plataforma da AgSUS, responsável pelo acolhimento. A equipe é formada por psicólogos, enfermeiros e outros profissionais de saúde capacitados para realizar uma escuta qualificada, sem julgamentos e voltada às necessidades de cada paciente.
“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular.”
— Alexandre Padilha
Usuários que já possuem o aplicativo instalado receberam uma notificação informando sobre a nova oferta de atendimento, incentivando pessoas com dificuldades relacionadas às apostas e seus familiares a buscarem ajuda.
O serviço foi lançado em março com capacidade para 600 atendimentos mensais, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Com o aumento da procura, a estrutura foi ampliada para atender até 100 mil pessoas por mês.
Para utilizar o serviço, o cidadão deve acessar o Meu SUS Digital com a conta Gov.br, entrar na área “Miniapps” e selecionar a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. Após realizar um autoteste, o usuário é encaminhado à plataforma da AgSUS, onde aceita os termos de uso, preenche um formulário e informa se o atendimento será para si ou para um familiar.
Depois da solicitação, o sistema gera um protocolo e, após o agendamento, envia automaticamente a confirmação da consulta, o link para a videochamada, orientações para o atendimento e lembretes sobre o horário marcado.
As consultas psicológicas são realizadas por videochamada, têm duração média de 50 minutos e, preferencialmente, ocorrem uma vez por semana. O ciclo inicial pode chegar a dez sessões, com nova avaliação ao término desse período. Dependendo da evolução do paciente, o atendimento pode ser encerrado, renovado ou encaminhado para acompanhamento presencial.
Além do teleatendimento, pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas podem buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que integram a Rede de Atenção Psicossocial. Atualmente, o Brasil conta com 3.120 CAPS em funcionamento.
Entre os principais sinais de alerta para o comportamento compulsivo estão alterações no sono, alimentação ou humor, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não consegue apostar, dificuldade para interromper os jogos, sentimentos de culpa ou vergonha, além de prejuízos financeiros, familiares e profissionais provocados pelas apostas.
O Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda também mantêm o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, que reúne ações de monitoramento, prevenção e cuidado relacionadas aos impactos das apostas na saúde.
Entre as ferramentas disponíveis está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite o bloqueio voluntário do CPF para impedir o acesso às plataformas de apostas autorizadas. Mais de 1 milhão de pessoas já utilizaram o serviço. Desse total, 35% informaram perda de controle sobre o jogo como principal motivo para solicitar a autoexclusão. Durante o período da Copa do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho, 387.645 cidadãos solicitaram o bloqueio do CPF, o equivalente a 38% de todas as autoexclusões registradas.





