Reeleição de Lula fortalece Ceciliano na disputa pela presidência da Alerj
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República mudou o cenário das articulações pela presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com o resultado da eleição presidencial, o petista André Ceciliano ganhou força nas conversas entre deputados estaduais para a formação da próxima Mesa Diretora.
Eleito novamente para a Alerj em 4 de outubro, Ceciliano já presidiu o Legislativo fluminense e mantém relações políticas com parlamentares de diferentes partidos, inclusive de campos ideológicos distintos. Essa capacidade de diálogo pode ser um trunfo na disputa pelo comando da Casa.
O deputado também tem experiência na função. Em 2019, foi eleito presidente da Alerj com 49 votos. Dois anos depois, recebeu 64 dos 69 votos registrados na eleição para a Mesa Diretora, demonstrando apoio que ultrapassava os limites de sua própria legenda.
PL enfrenta incertezas sobre sucessão
O Partido Liberal elegeu a maior bancada da Alerj nas eleições de outubro, com 21 deputados, e trabalhava para manter o controle da presidência da Casa. A derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, porém, alterou o ambiente político e pode afetar as articulações do partido.
Anderson Moraes (PL), apontado como um dos nomes cotados para a sucessão pelo grupo ligado a Douglas Ruas, enfrenta um cenário mais incerto. Identificado com a ala bolsonarista da legenda e próximo de Flávio Bolsonaro, o deputado pode perder espaço nas negociações.
Outro nome do partido que permanece no radar é o de Guilherme Delaroli (PL), atual primeiro vice-presidente da Alerj. Com experiência na estrutura administrativa do Legislativo, ele já ocupou interinamente a presidência e pode continuar na disputa.
Oposição articula alternativa ao PL
Antes mesmo do segundo turno presidencial, partidos de oposição já discutiam a construção de uma candidatura alternativa para a presidência da Assembleia. As conversas envolvem parlamentares do PT, do PSD e do PSOL, além de possíveis aliados do PSB, do PDT e do PCdoB.
O PT elegeu nove deputados estaduais, mesmo número do PSD. O PSOL conquistou cinco cadeiras, enquanto PSB e PDT elegeram dois parlamentares cada. Dani Balbi representa o PCdoB na Assembleia.
Somadas, as bancadas do PT, PSD e PSOL reúnem 23 deputados. Com a eventual adesão de representantes de outras legendas, o grupo poderá ampliar sua força nas negociações para a formação da próxima Mesa Diretora.
As articulações também podem envolver parlamentares da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, que elegeram cinco e quatro deputados, respectivamente.
Ceciliano tenta ampliar apoio entre diferentes bancadas
A disputa pela presidência da Alerj dependerá da capacidade dos candidatos de reunir votos para além de seus próprios partidos. Nesse cenário, a experiência de Ceciliano no comando do Legislativo e o relacionamento com deputados de diferentes campos políticos podem favorecer sua candidatura.
A eleição de Lula também altera o contexto das negociações entre os partidos fluminenses, especialmente para o PL, que busca preservar o protagonismo conquistado nas urnas estaduais.
As conversas devem avançar nas próximas semanas, enquanto as bancadas definem alianças e avaliam os nomes que poderão disputar o comando da Assembleia Legislativa do Rio.





