Aliados defendem autonomia de Douglas Ruas na formação do governo do RJ
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República mudou as articulações para o próximo governo do Estado do Rio de Janeiro. Aliados do governador eleito Douglas Ruas (PL) defendem que ele tenha autonomia para escolher os integrantes do primeiro escalão e mantenha diálogo institucional com o Palácio do Planalto, que continuará sob comando do PT.
Antes do resultado eleitoral, integrantes do partido esperavam que Flávio tivesse influência significativa na composição e na condução da nova gestão estadual. Com o desfecho da eleição presidencial, a avaliação entre aliados é de que o governo fluminense deverá buscar interlocução com a União para garantir recursos e parcerias em áreas estratégicas.
Ruas afirmou que pretende manter uma relação institucional com diferentes correntes políticas e se mostrou disposto a conversar com o governo federal sempre que necessário.
“Eu me relaciono bem com todas as correntes políticas, nunca tive problema nenhum de diálogo. Certamente, vamos tratar de maneira institucional e, sempre que for necessário, estarei disposto a conversar”, declarou.
Durante a campanha, Douglas Ruas apresentou propostas que exigem articulação com o governo federal e outras fontes de financiamento. Na área de transportes, defendeu a implantação de uma ligação metroviária entre Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo, com recursos federais e parcerias público-privadas (PPPs).
O então candidato também propôs cooperação com a União para criar corredores de transporte e melhorar a malha viária da Baixada Fluminense.
Na saúde, as propostas incluem a criação de centros integrados em diferentes regiões do estado e a conclusão de obras atrasadas, como a do Hospital do Câncer de Nova Friburgo. A execução de parte dessas iniciativas depende da disponibilidade de recursos, incluindo repasses do Sistema Único de Saúde (SUS).
Nos bastidores do partido, o deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL, é apontado como uma das principais figuras na articulação da equipe de governo. Ele deverá atuar como conselheiro de Ruas na escolha dos futuros secretários.
Altineu já descartou assumir um cargo no Executivo estadual e teria atribuído a Bruno Bonetti, presidente municipal do PL e aliado próximo, a tarefa de ajudar a organizar a composição do secretariado.
Após o resultado da eleição presidencial, Ruas também publicou um vídeo nas redes sociais no qual comentou sua participação na campanha de Flávio Bolsonaro. Na gravação, o governador eleito afirmou que respeita a decisão dos eleitores e que pretende governar para toda a população fluminense.
“Na política, a gente precisa ter lado e deixar isso bem claro. Na campanha presidencial, estive ao lado de Flávio Bolsonaro, a quem sempre serei leal e o parabenizo pela campanha limpa e propositiva. Infelizmente, não vencemos. Mas foi essa a vontade dos eleitores, e eu respeito. Foi também pela vontade dos eleitores que o PL saiu da eleição vitorioso. O partido saberá honrar tamanha confiança depositada por tantos brasileiros. Fui eleito governador do Rio em primeiro turno e vou governar para todos os fluminenses, para os que votaram e os que não votaram em mim”, declarou.
Apesar da expectativa de menor interferência direta de Flávio Bolsonaro na formação do governo estadual, integrantes da cúpula do PL discutem a possibilidade de o senador recomendar o nome de seu ex-advogado Victor Gramado Alves para uma das vagas no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Três cadeiras deverão ser indicadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Uma delas está vaga após a condenação do conselheiro Domingos Brazão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As outras duas dependem de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Durante a campanha, Ruas havia afirmado que deixaria para depois da eleição presidencial as definições sobre pastas estratégicas, como Segurança, Educação e Saúde. Agora, a escolha dos nomes deve avançar nos próximos dias.
“Vou me reunir com o partido para tratar de governo e dos secretários. E ainda esta semana devo anunciar alguns nomes”, afirmou.
Uma das nomeações mais aguardadas é a do futuro secretário de Segurança Pública, área na qual Flávio Bolsonaro exercia influência política. Ruas também discute uma mudança na estrutura administrativa para que as secretarias de Polícia Civil e de Polícia Militar voltem a ficar subordinadas à pasta de Segurança.
Alguns nomes da futura equipe já começaram a ser definidos. Gabriela Bessa, coordenadora da transição, é cotada para assumir a Casa Civil. A vice-governadora eleita, Fernanda Louback, foi anunciada para comandar a pasta de Inclusão e Mulher.
Bruno Bonetti deverá assumir uma secretaria que reunirá as áreas de Comunicação, Relações Institucionais e Governo (Segov). Fábio Araújo é cotado para a chefia de gabinete, enquanto Anderson Monteze deverá ficar à frente da Secretaria de Planejamento.
Ruas também informou que outros dois nomes de mulheres devem ser anunciados ainda nesta semana.
A equipe de transição se reuniu com o atual secretário da Casa Civil, Flávio Willeman, no Palácio Guanabara. O encontro abordou questões relacionadas à governabilidade, ao equilíbrio das contas públicas e à segurança.
Uma das próximas etapas será a elaboração de medidas para enfrentar possíveis eventos climáticos extremos associados ao fenômeno El Niño.
Integrantes do governo estadual estão atualizando mapas de vulnerabilidade dos municípios, informações sobre a situação dos rios e áreas sujeitas a inundações. O levantamento também inclui os investimentos já realizados.
“Nosso objetivo é assegurar que o governador eleito tenha um diagnóstico consistente dos principais desafios do estado, especialmente nas áreas que exigem respostas imediatas”, afirmou Gabriela Bessa.





