Participação de estatais cresce no petróleo e Brasil bate recorde
Produção brasileira de petróleo e gás chegou a 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2025, segundo levantamento da EPE
A produção brasileira de petróleo e gás natural atingiu, em 2025, o maior nível da série histórica, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O resultado também ocorre em meio a uma tendência internacional de maior participação de empresas estatais na exploração e produção de petróleo.
Os dados integram a publicação Indicadores de Monitoramento da Política de Exploração & Produção, divulgada pela EPE, estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
Produção nacional supera recorde anterior
Em 2025, a produção de petróleo e gás natural no Brasil alcançou 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O volume representa crescimento de 12,7% em comparação com o recorde anterior, registrado em 2023, quando a produção chegou a 4,344 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
A produção acumulada de petróleo somou 1,376 bilhão de barris no ano, com média diária de 3,770 milhões de barris. O resultado foi 11,97% superior ao registrado em 2024.
Já a produção de gás natural alcançou 65,422 bilhões de metros cúbicos, equivalente a uma média de 179 milhões de metros cúbicos por dia. Na comparação com 2024, houve aumento de 16,68%.
Somando petróleo e gás, a produção total chegou a 1,787 bilhão de barris de óleo equivalente em 2025, crescimento de 13,01% em relação ao ano anterior.
O pré-sal respondeu por 79,63% da produção nacional, em óleo equivalente, durante o período.
Reservas brasileiras e expansão do pré-sal
Os dados da EPE também apontam reservas de 17,488 bilhões de barris de petróleo e 572,752 bilhões de metros cúbicos de gás natural.
A relação entre reservas e produção, conhecida como R/P, é utilizada para estimar, em anos, o período de duração das reservas mantido o nível de produção considerado.
No segmento de exploração e produção, o Brasil manteve uma trajetória de expansão em 2025, com a realização de leilões e a continuidade dos investimentos no pré-sal.
Entre os destaques esteve o 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que ampliou as oportunidades para novas áreas exploratórias.
Também avançaram as ofertas de áreas do pré-sal no regime de partilha, com destaque para o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha.
Outro resultado foi o leilão de petróleo da União realizado pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), que comercializou aproximadamente 74,5 milhões de barris. A operação teve potencial de arrecadação estimado em cerca de R$ 28 bilhões para os cofres públicos ao longo de dois anos.
Petrobras amplia atuação em áreas estratégicas
A Petrobras manteve em 2025 a estratégia de recomposição de reservas e expansão seletiva de seu portfólio exploratório. A companhia concentrou esforços em ativos considerados de maior retorno, especialmente em águas profundas e ultraprofundas.
Nesse cenário, o pré-sal permanece como principal vetor de crescimento da produção brasileira de petróleo e gás, além de manter importância para a segurança energética e a geração de receitas públicas.
Estatais ganham espaço no mercado internacional
A expansão da participação estatal não se restringe ao Brasil. Segundo a publicação da EPE, empresas nacionais de petróleo, conhecidas pela sigla NOCs, vêm ampliando sua presença na exploração e produção de novos campos em diferentes países.
Nos últimos 20 anos, a participação dessas companhias nos investimentos globais do setor apresentou crescimento contínuo, impulsionada por estratégias de longo prazo e pelo apoio financeiro dos governos.
O movimento representa uma mudança na composição dos investimentos da indústria. Enquanto governos passaram a direcionar mais recursos para suas próprias empresas de energia, grandes multinacionais privadas e companhias independentes reduziram de forma significativa os investimentos destinados à busca por novas reservas de petróleo.






