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Autor da chacina do Morumbi Shopping volta a frequentar cinema após deixar a prisão

Mateus da Costa Meira, autor da chacina no Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999, voltou a frequentar centros comerciais e salas de cinema em Salvador após ser colocado em liberdade pela Justiça da Bahia, em 2024. A presença dele no Shopping Barra tem gerado preocupação entre comerciantes e frequentadores.

Condenado inicialmente a 120 anos de prisão pela morte de três pessoas e por deixar outras nove feridas, Mateus foi posteriormente considerado inimputável em outro processo judicial e permaneceu internado em um hospital de custódia até obter a desinternação.

Presença em shopping causa apreensão

Segundo relatos de comerciantes, Mateus tem sido visto com frequência circulando por cafés, livrarias e até cinemas do Shopping Barra, um dos principais centros comerciais da capital baiana.

A presença do ex-estudante de Medicina passou a ser compartilhada em grupos de mensagens, despertando receio entre funcionários e clientes.

“Quando eu o vi pela primeira vez, fiquei em dúvida, porque ele está bem diferente. Mas logo a informação se espalhou no shopping, deixando os vendedores com medo.”

— Janaína Chaseliov, comerciante

Relembre o caso

Em novembro de 1999, Mateus da Costa Meira entrou armado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping durante a exibição do filme Clube da Luta. O ataque deixou três mortos e nove feridos.

Na época, ele foi julgado pelo Tribunal do Júri de São Paulo e considerado plenamente responsável pelos crimes, após perícia concluir que tinha capacidade de entender o caráter ilícito de seus atos.

As investigações apontaram que o ataque foi cuidadosamente planejado, desde a compra da arma até a escolha do local.

Mudança na situação judicial

Após ser transferido para cumprir pena na Bahia, Mateus respondeu por uma tentativa de homicídio dentro da prisão.

Nesse novo processo, a Justiça da Bahia acolheu a tese de inimputabilidade. Ele foi absolvido de forma imprópria e encaminhado para tratamento em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico.

Em 2024, a Justiça autorizou sua desinternação, condicionando a liberdade ao acompanhamento psiquiátrico.

Especialistas questionam decisão

Psiquiatras que acompanharam Mateus ao longo dos anos afirmam que ele continua representando risco à sociedade.

A médica Hilda Morana, que participou de avaliações do condenado em São Paulo, afirma que ele possui traços de psicopatia e não deveria estar em liberdade.

“Ele não pode ficar na rua porque vai fazer maldade.”

— Hilda Morana, psiquiatra

Outra especialista, Grace Adriana Lopes Conceição, que trabalhou no Hospital de Custódia da Bahia, também defende que Mateus deveria permanecer em ambiente monitorado.

Segundo ela, o risco está relacionado à personalidade antissocial, marcada por ausência de empatia, frieza e capacidade de planejamento.

Ministério Público tentou impedir a soltura

Apesar da decisão favorável da Justiça baiana, o Ministério Público da Bahia recorreu para tentar impedir a liberação de Mateus.

Até o momento, os pais do ex-estudante, o Ministério Público da Bahia e o Tribunal de Justiça da Bahia não se manifestaram sobre o caso.

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