Alex Moreira Pereira, conhecido como Drill, de 42 anos, foi colocado em liberdade após decisão da 4ª Vara Criminal da Comarca de Niterói. Apontado pelas forças de segurança como uma das lideranças do tráfico de drogas no Complexo do Fonseca, ele havia sido preso em abril deste ano, durante uma operação da Polícia Militar no Morro do Santo Cristo.
A decisão judicial revogou a prisão preventiva e absolveu Alex das acusações de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Outra ré no processo, Laiane Cavalcante, que também estava no imóvel durante a operação, foi absolvida.
Segundo os fundamentos da sentença, não foram apresentadas provas individualizadas que vinculassem os dois acusados aos materiais apreendidos no local. O documento destaca que a suspeita de que Alex seria fornecedor de drogas não recebeu confirmação judicial individualizada.
Prisão ocorreu durante operação no Fonseca
Drill foi preso no dia 20 de abril, junto com outras cinco pessoas, em uma casa abandonada na Travessa Santo Cristo, no Fonseca. De acordo com a Polícia Militar, o imóvel era utilizado como ponto de venda de entorpecentes.
Na ocasião, os agentes apreenderam dois fuzis com numeração raspada, munições, rádios transmissores, carregadores, uma granada e grande quantidade de drogas.
Os seis presos foram encaminhados à 78ª DP (Fonseca) e autuados em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, conforme informou a Polícia Civil.
Tiroteio foi registrado três dias após a soltura
Na madrugada de 16 de outubro, três dias depois da decisão que concedeu liberdade a Drill, disparos de arma de fogo foram identificados pelo sistema ShotSpotter na comunidade do Santo Cristo.
A tecnologia utilizada em Niterói detecta tiros em tempo real e permite o acionamento das forças de segurança.
Após uma operação policial na região, sete suspeitos apontados como integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) foram presos. A ação contou com veículos blindados e equipes do Grupamento de Ações Táticas (GAT).
Durante a operação, os policiais também encontraram um homem morto. O caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG).
Na ocorrência, foram apreendidas três pistolas, um simulacro de arma de fogo, dois rádios transmissores e drogas. O material foi levado para a 78ª DP.
Quem é Alex Moreira Pereira, o Drill
Segundo informações das forças de segurança, Alex Moreira Pereira é apontado como uma antiga liderança do Terceiro Comando Puro no Complexo do Fonseca, formado pelas comunidades Santo Cristo, Palmeira, Pimba, Coreia e Coronel Leôncio.
Informações policiais indicam que ele possui mais de 11 registros de passagem pela polícia relacionados a suspeitas de envolvimento em crimes como homicídio, roubo, corrupção de menores e tráfico de drogas. Esses registros não representam, por si só, condenações.
Drill também é investigado por suposta participação em invasões a comunidades do complexo em novembro de 2025, quando integrantes do TCP avançaram sobre áreas anteriormente dominadas pelo Comando Vermelho (CV).
Naquele período, a disputa envolvia grupos ligados a Drill e a um homem conhecido como Fluminense, apontado pelas autoridades como liderança do CV na região.
Os confrontos entre as facções foram associados ao aumento da violência letal em Niterói. Em janeiro de 2026, o município registrou 14 homicídios dolosos e mortes decorrentes de intervenção policial, maior número para o mês nos últimos sete anos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).





