Economia

Petrobras pode valer R$ 811 bilhões até o fim de 2026

Projeção do Itaú BBA considera avanço da exploração na Bacia da Foz do Amazonas após identificação de hidrocarbonetos em poço no Amapá

A Petrobras pode alcançar valor de mercado de R$ 811,4 bilhões até o fim de 2026 caso avance a exploração de petróleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A projeção é do Itaú BBA e considera uma valorização das ações preferenciais da estatal, conhecidas pelo código PETR4.

Atualmente, a Petrobras tem valor de mercado estimado em R$ 632,5 bilhões. Segundo a projeção, as ações PETR4 poderiam chegar a R$ 63 até o fim do ano. Na sexta-feira (21), os papéis encerraram o pregão cotados a R$ 44,30.

Se a estimativa se confirmar, a companhia teria uma valorização de aproximadamente 28%, o que representaria um aumento de cerca de R$ 179 bilhões em seu valor de mercado.

A projeção considera as 12,88 bilhões de ações da Petrobras em circulação e levaria a estatal para perto de sua máxima histórica em valores nominais.

Descoberta ainda depende de confirmação

A identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, não significa que a Petrobras já tenha confirmado a existência de uma grande reserva comercial de petróleo e gás natural.

A companhia ainda precisa concluir a perfuração, analisar as amostras coletadas e determinar a extensão e o potencial econômico do reservatório.

A Petrobras confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho na segunda-feira (17). A perfuração já alcançou cerca de 3 mil metros sob a lâmina d’água e outros 3 mil metros na rocha. Ainda resta aproximadamente 1 quilômetro a ser perfurado.

A conclusão da perfuração está prevista para setembro. Depois disso, a viabilidade comercial dependerá dos resultados das análises realizadas no centro de pesquisas da Petrobras e da eventual perfuração de novos poços.

Potencial da Margem Equatorial

A possível valorização da Petrobras também está relacionada ao potencial de reservas da Margem Equatorial. Segundo estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a região da Foz do Amazonas pode ter até 5,7 bilhões de barris de petróleo recuperáveis.

Caso esse volume seja confirmado, as reservas comprovadas de petróleo do Brasil poderiam aumentar 33%, enquanto as reservas da Petrobras teriam potencial de crescimento de até 55%.

No conjunto da Margem Equatorial, que reúne as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, a EPE estima potencial de 41 bilhões de barris no Plano Decenal de Expansão de Energia 2035.

A estimativa é superior à projeção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que aponta potencial de 30 bilhões de barris para a região.

O Itaú BBA considera em sua projeção a possibilidade de confirmação dos 5,7 bilhões de barris recuperáveis na Foz do Amazonas.

A instituição utiliza o indicador EV/Reserva, que relaciona o valor de uma empresa ao volume de petróleo existente em suas reservas. Nesse cenário, o valor da Petrobras cairia de US$ 12,70 para US$ 8,50 por barril equivalente, abaixo dos níveis observados em concorrentes internacionais.

O cálculo poderia tornar as ações da estatal mais atrativas para investidores e contribuir para uma eventual valorização dos papéis.

O valor bruto dos até 6 bilhões de barris recuperáveis na Foz do Amazonas é estimado em R$ 3,8 trilhões. A estimativa considera o preço do petróleo Brent em US$ 70 por barril e o dólar a R$ 5,40, segundo projeção da FGV-IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Histórico de valorização

A Petrobras registrou sua máxima histórica em 2008, durante a euforia provocada pela descoberta do megacampo de Tupi, no pré-sal.

Naquele ano, as ações PETR4 chegaram a R$ 52,51. Corrigido pela inflação, esse valor equivaleria atualmente a R$ 144,21.

A Petrobras chegou a ser avaliada em R$ 510,3 bilhões naquele período, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,4 trilhão em valores atuais.

Importância para as reservas brasileiras

A exploração na Margem Equatorial é considerada estratégica diante da dependência brasileira em relação ao pré-sal. Cerca de 80% do petróleo produzido atualmente no país vem dessa região.

A produção do pré-sal, porém, deve começar a entrar em declínio no início da década de 2030. Por isso, novas fronteiras de exploração são apontadas como necessárias para recompor as reservas brasileiras.

“A Petrobras tem outras frentes de atuação que devem aportar uma quantidade razoável de reservas tanto de petróleo quanto de gás, como a Bacia de Pelotas e a Sergipe Águas Profundas. Mas não chegam na mesma escala do Pré-sal. Por isso a necessidade da Margem Equatorial para garantir a reposição das reservas.”

— Eric Gil Dantas, economista do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais)

Mesmo com o potencial apontado para a região, a Petrobras pode precisar encontrar uma quantidade menor de petróleo para que a exploração seja considerada economicamente viável.

Exploração no Amapá

O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias que compõem a Margem Equatorial brasileira.

A área se estende por mais de 2,2 mil quilômetros de costa, entre a foz do rio Oiapoque, no Amapá, e o litoral do Rio Grande do Norte.

A Petrobras possui atualmente 100% de participação no bloco e é responsável pela operação. A companhia adquiriu a área durante a 11ª Rodada de Licitações da ANP, realizada em 2013, sob o regime de concessão.

No futuro, a estatal poderá vender parte da participação no bloco para dividir os custos da exploração com outras empresas.

Caso as expectativas sobre o potencial de petróleo da região não sejam confirmadas, entretanto, a Petrobras ficará responsável pelos prejuízos da operação. Segundo o UOL, a exploração custa cerca de US$ 1 milhão por dia e já acumula gastos superiores a R$ 1,5 bilhão.

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