Meio AmbienteSul Fluminense

Lobo-guará é registrado pela primeira vez na parte baixa do Parque de Itatiaia

Um lobo-guará foi registrado pela primeira vez na parte baixa do Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro. A presença do animal foi identificada em meados de outubro por uma das câmeras instaladas pelo Onçafari para monitorar a fauna da unidade de conservação.

O registro chama a atenção porque o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), considerado o maior canídeo da América do Sul, é uma espécie historicamente associada ao Cerrado e a ambientes mais abertos.

O Parque Nacional do Itatiaia, criado em 1937, é o primeiro parque nacional do Brasil e está localizado na Serra da Mantiqueira, entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

Diferenças entre as áreas do parque

A parte alta do parque apresenta campos de altitude, formações rochosas e vegetação rasteira, características que oferecem condições favoráveis à presença do lobo-guará.

Já a parte baixa, localizada inteiramente no território fluminense, possui vegetação mais densa e mata fechada, ambiente no qual os registros da espécie são menos frequentes.

Para Gabriela Burattini, bióloga e líder de monitoramento do Onçafari, a identificação do animal representa uma informação importante para os estudos sobre a fauna local.

“Este é um registro relevante porque amplia nosso conhecimento sobre a ocorrência da espécie no parque e levanta questões sobre o uso desses ambientes”, explicou.

A especialista afirma que ainda não há uma explicação definitiva para a presença do lobo-guará nessa área. Entre as possibilidades estão a exploração de novos territórios e a busca por recursos, hipóteses que ainda precisam ser investigadas.

O monitoramento continuará, inclusive com a colaboração de moradores da região, por meio de relatos que possam ajudar a compreender como a espécie utiliza o território.

Monitoramento já identificou 28 espécies de mamíferos

O Onçafari desenvolve atividades no Parque Nacional do Itatiaia desde 2023, utilizando armadilhas fotográficas para acompanhar a presença de animais silvestres.

Os equipamentos possuem sensores que identificam movimento e calor, acionando automaticamente o registro de fotos ou vídeos, sem interferir diretamente no comportamento dos animais.

Segundo Gabriela Burattini, o trabalho já identificou 28 espécies de mamíferos de médio e grande porte na unidade de conservação, além de mamíferos menores, aves e répteis.

As informações obtidas são compartilhadas com a equipe responsável pela gestão do parque e contribuem para ações de conservação e planejamento ambiental. Os dados também são disponibilizados a universidades para apoiar pesquisas sobre a fauna brasileira.

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